A importância de uma Bolsa de Publicações
Um estado caçula, mas já com quase 40 anos de existência não pode se omitir na construção diária da sua identidade, das suas raízes, das histórias de seu povo. Aliás, já foi dito: conquista-se um povo minimizando sua cultura. E não é o que estamos vendo em escala global? Essa introdução aqui é para tentar lembrar da importância de se ter em voga uma bolsa de publicações literárias, sendo realizada ano a ano, conforme determina sua lei. Porque a literatura é a mãe de todas as outras formas de arte, seja como fonte de pesquisa, de inspiração ou de reprodução de um texto por meio de outra linguagem artística. Estou falando da Bolsa de Publicações Maximiano da Mata Teixeira que, depois de ter incluído seu retorno na LOA do Estado no ano passado, com os desmandos políticos no Tocantins, isso não aconteceu. Mas a mesma, enfim, acaba de ser lançada.
“A Bolsa Maximiano da Mata Teixeira é um programa público de incentivo à produção literária no Tocantins. Criada em 1993, a iniciativa homenageia Maximiano da Mata Teixeira, jurista e escritor natural de Natividade, cuja trajetória intelectual e atuação jurídica contribuíram para a consolidação do estado de direito no antigo norte de Goiás. Reconhecido como incentivador da cultura, o autor empresta seu nome à política de fomento voltada à edição de obras literárias tocantinenses”.
Aqui, a Secult Tocantins não cita quem a criou. Aponto: “A bolsa foi criada em 1992, mediante iniciativa da ex-deputada Dolores Nunes (1946-2023) mãe da atual prefeita de Gurupi, Josi Nunes. Já em 1993 e 1994, o projeto editou uma coletânea de poetas do Tocantins (Poesias do Tocantins – 66 Poemas Escolhidos) – detalhe, obtive a primeira colocação e classifiquei cinco poemas – e outra de contistas (Contos Tocantinenses – Treze Obras Selecionadas). Na segunda edição aconteceu em 1994, mas os livros vencedores só foram publicados em 1998. O romance ‘Mandinga’ de Liberato Póvoa (1944-2019), de Palmas, e também o livro de poesia ‘Mercador’, de Ronaldo Coelho Teixeira, de Gurupi.
Josi Nunes, quando então deputada estadual, articulou a reedição da bolsa junto à Fundação Cultural, publicando o Edital 005/2008, tendo as obras publicadas "O bordado da urtiga", do escritor palmense Gilson Cavalcante (1954-2023), de Palmas, e "A morte no bordado", do escritor José Leandro de Bezerra Júnior (jjLeandro), de Araguaína.
Em 2011, depois de dois anos paralisada – sem contar o hiato entre 1994-2008-2010 – a bolsa foi retomada com as publicações das obras de caráter Não-Ficção: “Memórias de Petelico”, de autoria do escritor jjLeandro, e “Mulheres de Fibra: A Organização das Quebradeiras de Coco no Tocantins”, de autoria de Luciene de Oliveira Dias.
Em 2012, a bolsa, publicou as seguintes obras: Pai da Mata, de Marina Teixeira de Souza (Palmas); Minhas Brincadeiras de Crianças, de Jonair Barbosa Rocha (Gurupi); Eu e o Tocantins, de Genival Nicolau da Silva (Paraíso do Tocantins); Drogas Tô Fora, de Valdemar Rodrigues de Souza (Palmas); O Teatro de Breckefeld Coletânea Volume I, do ICAT – Instituto Cultural e Ambiental Tocantinense (Palmas); Zefinha, Uma Puta História, de Heliana Oliveira dos Santos (Gurupi); Porto Nacional-TO: Patrimônio Cultural e Memória, de Noeci Carvalho Messias (Palmas); Amor, Tempo e Mudanças, de Erich Collicchio (Palmas); Coletânea Palmense de Contos, da Academia Palmense de Letras (Palmas); Retalhos de Mim, de Genival Nicolau da Silva (Paraíso do Tocantins); Desintegrante, de Marina de Alcântara Alencar (Araguaína); Santa Fé – Uma Contadora de Histórias em Busca de Pontos e Mais Ponto de Vista, de Fernanda de Alcântara de Alencar (Araguaína); e Para que o Fantástico não se Ausente, de Ronaldo Coelho Teixeira (Gurupi).
Sua última edição aconteceu na infeliz leva de editais lançados no final de 2013, quando o Estado não pagou os selecionados e a maioria entrou na Justiça. Alguns já receberam e outros estão com os precatórios para receber. É verdade que alguns contemplados receberam uma porcentagem do prêmio, mas não o total do mesmo, sendo que alguns destes chegaram a publicar suas obras. O EDITAL FUNCULT/PROCULTURA Nº 004/2013 – PRÊMIO MAXIMIANO DA MATA TEIXEIRA 2013, contemplou as seguintes obras: Jornada Literária, de Maria Edivângela da Silva (Palmas); Monte do Carmo, Suas Origens e Evolução: No contexto sócio-culturais histórico e religião, de Eldiza Gomes Matos (in memoriam), (Porto Nacional); Acerto de Contas, de Eva Pereira da Silva (Palmas); Publicação e Distribuição do Livro “Serras e Cerrados”, de Dourival Martins Santiago (Paraíso do Tocantins); Religiosidade e devoção: as festas do Divino e do Rosário, em Monte do Carmo (TO)., de Noeci Carvalho Messias (Palmas); Ponto por ponto no preenchimento do encanto – crônicas recolhidas, de Osmar Casagrande Campos (Palmas); Amazônia em Poesia, da Associação Cênica de Arte e Cultura – Cia.Cênica de Teatro (Palmas); Debaixo do Pé de Pau, de Tiago Souza Beraldi (Palmas); Chega de Queimadas!, de Alexandre Santiago Filho (Palmas); Mãe da Lua, de Irma Cristina Silva Galhardo (Palmas); Rodas de Leitura “Histórias da História de Gurupi”, de Zacarias Gomes Martins (Gurupi); Poesia Itinerante no Tocantins – Amorística Volume II, de Leonardo Luiz Ludovico Póvoa (Palmas); Em Cena, da Cia. Experimental de Formação e Produção Cultural de Palmas (Palmas); Dramaturgias Curtas: Teatro para brincar e aprender, de Ana Isabel Friedlander (Palmas); Coletânea Literária de Ronaldo Araújo, de Francisco Ronaldo de Araújo (In memoriam) (Palmas); Agenda Tocantina 2015, de Ronaldo Coelho Teixeira (Gurupi); e Espuma Sagrada do Tempo, de Alexandre Acampora (Palmas).
Isto posto, quero conclamar aqui a todos os artistas e produtores culturais do Tocantins para, juntos, cobrarmos a sua efetiva realização anual, a fim de se resgatar, registrar, fortalecer e tornar perene todas as nossas manifestações artísticas e culturais. Salve a Bolsa de Publicações Maximiano da Mata Teixeira! Salve o livro e a leitura!



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