Sorriso Colgate
Aconteceu em Pium. Quando aconteceu, o tempo engoliu, nessa natureza estranha de Cronos. Mas não conseguiu engolir o Zé Gomes. Só o que tenho de certeza é que foi no século passado. Mas esta crônica nada tem a ver com Cronos, e sim com o Zé. Foi de repente. O Zé Gomes, presidente do Conselho Estadual de Cultura, me diz “Casa, amanhã vamos pra Pium”. Claro como água da fonte, que não era pedido, era ordem no modo carinhoso de ser do Zé Gomes. Em verdade, não era ordem de serviço; ao contrário, ele queria me apresentar a pessoas que, no entendimento dele, eu merecia conhecer. Dia seguinte, lá fomos pra Pium. Graças à luz do Zé e sua importância no cenário cultural tocantinense, ficamos hospedados em casa do prefeito, que nos recebeu com o maior dos carinhos, e com a delicadeza de poeta que também é. A mim coube uma suíte no andar superior, com uma sacada de onde eu podia ver boa parte da cidade. Do outro lado da rua, um “pit dog”, como chamávamos as biroscas de então: no te...