Mudança
Mudar-se faz bem, expande o círculo de amizades e a perspectiva visual da cidade. Ocorre o confronto com outros de nós que nos permitem reflexos borrados de nós mesmos, de nossas crenças e gostos pessoais. Mudei-me a última vez há três anos, para a parte baixa da cidade, que é também a parte fria e nativa, a parte onde tudo começou há mais de um século. Depois de um ano de residência alguns vizinhos começaram a sinalizar timidamente - a frieza das vizinhanças antigas constituídas -, e a tecer comentários ao pé do ouvido sobre os meus gostos exóticos, de indumentária e musical. Com o decorrer do tempo, rostos sisudos adquiriram ar jovial, ocorreram acenos de mãos, risos intermitentes e, já era tempo!, um convite para uma cerveja. E lá fomos nós para a primeira resenha de vizinhos depois de um ano de faces confrontantes de rua, música alta de lá e de cá, com as devidas marcações de gênero e ritmo, e cores e estilos distintos das vestimentas. Meia-hora de parvoíces de machos e...