Anos Dourados
Acabo de ler o comentário de um amigo escritor que aponta os equívocos no boneco de um livro em relação a seus poemas. O diagramador rearranjou os versos ao Deus dará e, obviamente, o sentido, o ritmo, a estética etc. foram para o beleléu, virando coisa bem diferente do que foi enviado para a publicação. Lembrei-me então de um tempo, há muito tempo, quando, em Barra Mansa e ainda estudante da graduação, participava como autora e copidesque do Jornal do Barrão. O jornal saía sem muita regularidade. Tínhamos que conseguir patrocinadores e anunciantes, o que não era fácil. Enquanto os jornais tradicionais da cidade tinham lá seus recursos, mas também uma linha editorial muito colada à política local, o nosso era de esquerda, num momento em que mal saíamos dos anos de ditadura. Um padre, o Silva, escrevia a seção de horóscopo. Dizia entender do recado. Não rabiscava nada que lembrasse diagramas celestes, nunca o vi olhando o céu para ver o arranjo dos astros, mas lá estav...