Aparências, reflexos e reflexões
Na minha juventude, sempre quis aproximar-me da aparência física de Renato Russo. O vocalista da Legião Urbana foi, de longe, o ídolo maior de minha geração de roqueiros. No dia a dia, eu usava sempre jeans surrado e camisas combinadas com a estética do popstar. Meus óculos eram iguais aos dele, e usava os cabelos e a barba desalinhados. As conversas com amigos eram pontuadas por citações da banda e, como resultado, algumas pessoas achavam mesmo que eu parecia o Renato Russo, e até me chamavam pelo seu nome. Claro que eu adorava e alimentava essa doce ilusão. Os anos passaram e a estética mudou. Chegaram rugas e marcas de expressão, novos amigos e novas interpretações das aparências. Com a maturidade, acho que fiquei um pouco parecido com um de meus irmãos, o poeta Chico Duarte. Mas para algumas pessoas de nossa cidade, somos mais que parecidos, somos reflexos da mesma pessoa. Há quem diga que a cara de um é o focinho do outro, e há até quem, tentando ser mais preciso, substitua ...