O sacrifício dos santos
Fui católica na infância, mas num tempo atravessado pela Teologia da Libertação, na qual os santos não ganhavam tanto destaque no cenário religioso. Importava uma compreensão mais política sobre as dinâmicas sociais e o compromisso com as transformações para uma sociedade mais justa. Muito pouco li das hagiografias. De vez em quando aparecia algum livrinho em nossa casa, que lia curiosa como diante de toda e qualquer leitura, até jornais que embrulhavam ovos. Adulta, não tive interesse pela causa, mas tenho certa amizade com Santo Antônio, porque é atende a demandas amorosas; com são José, porque era trabalhador carpinteiro; com São Sebastião, porque minha avó diz um dia ter se encontrado face a face com o santo. Era um dia de procissão e, ocupada com o trabalho, não pode ir cumprir o compromisso de seguir o santo passeando pelas ruas da cidade. Triste, passava roupas, pensando que cometia pecado. Foi então que o santo lindo, todo soldado, apareceu para ela. Fiquei fã de São Seba...