O faquir
Vendo outro dia num site a foto do grosso da minha turma - formada um semestre antes de mim no curso de Jornalismo em Goiânia -, percebi que ninguém usava beca. Não questionarei se era desapego ou rebeldia à tradição. Vivíamos dias duros da ditadura que esboroava e se fosse um protesto estava justificado. Além do mais sei que jornalista é assim mesmo: muitas ideias na cabeça e uma disposição para contrariar as formalidades e as tradições. Mas comigo se deu o contrário: eu e os outros retardatários formamos de beca. A retrógrada beca, que me causou muitos transtornos. Quando penso nela o que imediatamente me vem à mente é uma tremenda fome. Isso mesmo! O que tem uma coisa a ver com a outra? talvez todos perguntem. Calma que já explico. E me entenderão. Para me formar, tive que fazer curso para faquir. Isso, faquir. Aqueles ascetas indianos, magrinhos, que suportam sacrifícios sobre-humanos. Já trabalhava, tinha até um troco no banco, mas, mais por desleixo que qu...