Bicicleta na Bahia
Para Bete Barros
Eis então uma moça, a
protagonista da nossa história, mudando-se para a Bahia. Resolveu assumir a
vocação dos ciclistas e o destino das bicicletas, coisa mais que saudável,
pedalando enquanto ouve Olodum. Lá ia ela pelas avenidas de Feira de Santana,
com os movimentos rápidos, a saúde agradecendo, o céu comemorando, bicicleta
novinha, os timbaus dando o ritmo das pedaladas. Mas e a bicicleta? Desapareceu
por uns dias. Investiga daqui e dali e nada: mistérios de prédio em metrópole.
Nenhum registro em câmera, nenhuma testemunha. Volta, também inesperadamente,
depois do breve sumiço, a aventureira, discreta, silenciosa, solene,
sorumbática e se posta no lugar de onde não deveria ter saído sem sua dona
proprietária atleta.
Acredita-se que na Bahia de todos
os santos e entidades, ela tenho ido ali, dar um passeio sozinha, visitando os
territórios de dona Flor, seus dois maridos, parado num bar onde Quincas Berro
d’Água ainda se refestela ignorando as duas mortes, ido ao restaurante de Nacib
comer um dos quitutes de Gabriela, apostado corrida com Pedro Bala, subido e
descido o elevador Lacerda, enfeitando-se de fitinhas do Senhor do Bonfim no
Pelourinho, visitado apressadamente o Recôncavo, dado uma espiada na ilha de
Itaparica para conversar com personagens do João Ubaldo e, enfim, exausta,
voltara, discretíssima, para casa. Como sua proprietária é da literatura, o
repertório é grande e a urgência de conhecer os lugares que abrigam tantas
narrativas seria ainda maior.
A dona ainda não entendeu o
sumiço, nem o retorno. Só sei que destino das bicicletas é andar pelo mundo e
que o mar, como dizia Caymmi, quando quebra na praia, é bonito, é bonito.



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