Goiaba

 

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Ano passado tive a ideia de fazer uma exposição com o tema: goiaba. Pois é, essas e outras besteiras pintam na minha cabeça de vez em sempre. O pior é que eu acho que faz sentido.

Goiaba é um universo inteiro. Me vem à cabeça tendências cleptomaníacas de roubar goiaba do vizinho. Sabe aqueles muros altos com a copa da goiabeira pendendo um pouco para fora do terreno? É isso.

Mas também me faz lembrar de consequências, seja de uma surra de cipó de goiabeira ou de prisão de ventre. Não sei você, mas goiaba, da vermelha ou da branca, me travam os intestinos. Mas a gente sabe que vale a pena. É mais tempo de uma deliciosa goiaba dentro de mim. Me desculpe por essa imagem. E vamos para uma melhor: bicho de goiaba. Brincadeira. Semente de goiaba no cocô. Cocô de passarinho. Chega. Goiabada. Ou melhor ainda: goiabada cascão. Ketchup de goiaba. Quem já provou desse último sabe do que estou falando. Goiaba pode sempre nos surpreender. Pode ser por não saber qual cor, textura ou se vai ter bicho ou não. Goiaba é um convite à memória. Como um amor. Como um Romeu e Julieta.

Depois me cobrem essa exposição.

Ciro Gonçalves escritor


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