O CASO DA MOÇA COM AFFONSO ROMANO DE SANT'ANNA

Soube há pouco do falecimento do professor, pesquisador e escritor Affonso Romano de Sant’Anna. Não sabia que estava doente, que tinha Alzheimer, essa doença que me assusta, porque sei que tudo o que somos se vai quando a memória acaba, que sem memória não há propriamente um sujeito. Segue logo depois de sua companheira, Marina Colasanti, o que me leva a pensar nos laços que ligam as pessoas, na ausência que conta para a decisão de partir, mesmo que precária seja a capacidade da vontade. Daí me lembrei do caso da moça com o poeta. Vou contar brevemente, eliminando muitos detalhes, porque há coisas que ela não me autoriza a revelar, outras sim. Ela fazia então uma curso de especialização. Uma primeira disciplina tinha sido um desastre: a professora de Tecnologia Educacional falava das técnicas, metodologias, tecnologias e ela discutia que tudo isso seria secundário, porque havia algo mais profundo e determinante, que seria, por exemplo, o recorte de natureza ideológica dos co...