Ilustração de ALvaro Maia para a crônica do grande escritor tocantinense Ciro Gonçalves


Morreu. Morreu? Morreu. Tô te dizendo. Mas morreu, morreu mesmo? Morreu. Cutuca aí pra ver se morreu mesmo. Olha. Aqui. É. Morreu mesmo. Tô te dizendo. Mas quem é? É alguém importante. Importante? No conozco. Todo mundo é importante para alguém. Fale por sua conta. Tem gente que não vale o pau que chupa. Baixou o nível. Perdão. Mas quem é? Não sei. Importa saber? Talvez. Morre tanta gente todo dia. É. E se fosse tu? Mas não é. E “e se” não existe. E é? É. E agora? Morreu, enterra. Choro? Chora, por via das dúvidas. Putz, tá chorando mesmo. Tu conhecia? Preciso conhecer para chorar? Não sei. Mas é triste mesmo. É. Mas não é de soluçar. Às vezes merecia. Merecia? Merecia morrer ou as lágrimas? Vou nessa. Vamos! Tá. E o morto? Que morto? Já foi. Vivo te dizendo isso: morreu, morreu. E o algortimo? Ah, vá!






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